segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A tecnologia e a formação de subjetividades


A disciplina “Perspectiva Crítica da Tecnologia: dialogando com filmes sobe o tema” da Professora Eloiza Oliveira do mestrado do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas e Formação Humana nos deu, a mim a meu colega Ricardo Drummond, a possibilidade de abordar em um seminário uma temática no mínimo fascinante: “A tecnologia e a formação de subjetividade: tecnofilia e ciberneuroses”. Na incumbência de discorrer sobre Subjetividade e na impossibilidade de tecer maiores comentários  sobre a questão, transcrevo abaixo alguns apontamentos de Guattarri sobre o tema.

“Ao invés de ideologia, prefiro falar sempre em subjetivação, em produção de subjetividade” (GUATTARI, 2OO5, p. 33).
“Proponho [...] a ideia de uma subjetividade de natureza industrial, maquínica, ou seja, essencialmente fabricada, modelada, recebida, consumida” (GUATTARI, 2OO5, p. 33).
“A produção de subjetividade constitui matéria-prima de toda e qualquer produção” (GUATTARI, 2OO5, p. 36).
“A produção de subjetividade encontra-se, e com um peso cada vez maior, no seio daquilo que Marx chama de infra-estrutura produtiva” (GUATTARI, 2OO5, p. 36).
“Todos os fenômenos importantes da atualidade envolvem dimensões do desejo e da subjetividade” (GUATTARI, 2OO5, p. 36).
“A subjetividade está em circulação nos conjuntos sociais de diferentes tamanhos: ela é essencialmente social, e assumida e vivida por indivíduos em suas existências particulares. O modo pelo qual os indivíduos vivem essa subjetividade oscila entre dois extremos: uma relação de alienação e opressão, na qual o indivíduo se submete à subjetividade tal como a recebe, ou uma relação de expressão e de criação, na qual o indivíduo se apropria dos componentes da subjetividade, produzindo um processo que eu chamaria de singularização” (GUATTARI, 2OO5, p. 42).
“As relações de inteligência, de controle e de organização social estão cada vez mais adjacentes aos processos maquínicos; é atravéz desta produção de sujetividade capitalística que as classes e castas que detêm o poder nas sociedades industriais tendem a assegurar um controle cada vez mais despótico sobre os sistemas de produção e de vida social” (GUATTARI, 2OO5, p. 48).
“A produção da subjetividade pelo CMI é serializada, normalizada, centralizada em torno de uma imagem, de um consenso subjetivo referido e sobrecodificado por uma lei transcedental” (GUATTARI, 2OO5, p. 48).
“Quanto a mim, hoje considero que a apreensão de um fato psíquico é inseparável do Agenciamento de enunciação que lhe faz tomar corpo, como fato e como processo expressivo” (GUATTARI, 1990, P. 19).
“[...] gostaria principalmente de sublinhar a responsabilidade e o necessário ‘engajamento’ não somente dos operadores ‘psi’, mas de todos aqueles que estão em posição de intervir nas instâncias psíquicas individuais e coletivas (através da educação, saúde, cultura, esporte, arte, mídia, moda etc)” (GUATTARI, 1990, p. 20, grifo nosso).
“[...] tenho a convicção de que a questão da enunciação subjetiva colocar-se-á mais e mais à medida que se desenvolverem as máquinas produtoras de signos, de imagens, de sintaxe, de inteligência artificial...” (GUATTARI, 1990, p. 23).
“O capitalismo pós-industrial que, de minha parte, prefiro qualificar como Capitalismo Mundial Integrado (CMI) tende, cada vez mais, a descentrar seus focos de poder das estruturas de produção de bens e de serviços para estruturas produtoras de signos, de sintaxe e de subjetividade, por intermédio, especialmente, do controle que exerce sobre a mídia, a publicidade, as sondagens etc.” (GUATTARI, 1990, p. 31).
Referências
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, SP: Papirus, 1990.
GUATTARI, Felix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. 7. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

Nenhum comentário:

Postar um comentário